o moço
terça-feira, 12 de janeiro de algum ano distante
Alone.
Pensava nessa pequena e tão devastadora palavra enquanto caminhava, parecia que as pedras faziam um ballet bonito quando chutadas, tantos saltos, tanta graça, pra quê?
Elas estavam prestes a morrer, se é que já haviam esperimentado a vida, eram pedras, oras… e mesmo assim cambaleavam com tanta graciosidade, como quem cumpre um gesto masoquista de agrado àquele que o tortura.
Haha, que irônico, as pedras gostavam dele.
E tudo o que aquele estranho ser mais queria era estar fora dali, correr para longe, para onde ninguém jamais pudesse sentir seu cheiro, ouvir sua voz, contemplar sua sombra.
Ele não merecia o mundo ou o mundo não o merecia?
Seu tênis parecia encolher sob seus pés, o sol se projetava de forma torturante, tanto xadrez num mundo cinza.
Ele queria voltar pra casa, mas não podia, não agora, não queria encontrar o resultado de sua própria explosão, não queria se deparar com os olhares penosos e avaliadores, os tons especulativos e aquela velha sensação de todo mundo querer uma parte doseu próprio mundo.
Rá, mal dava pra ele mesmo.
É isso, não voltaria, jamais voltaria, não havia mais nada para fazer agora, não fazia mais sentido.
Como se até ali alguma coisa tivesse feito..
Pegou sua mochila, limpou os óculos e continuou andando, não sabia para onde iria, mas tinha certeza de que seria um lugar infinitamente melhor que aquele que o criou.
“E se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz quem então agora eu seria?”
A frase flutuou dois metros a frente do seu olhar e depois se perdeu.
Já não era mais hora.
Nenhum trackbacks ainda.